A Solar Coca-Cola inaugurou, nesta quarta-feira (14), uma nova linha de envase PET em seu parque fabril de Várzea Grande, consolidando o município como um dos principais polos industriais do sistema Coca-Cola no Brasil. O investimento, de R$ 200 milhões somente na nova linha, faz parte de um plano mais amplo que projeta cerca de R$ 500 milhões no Estado de Mato Grosso até 2029, incluindo modernização da planta, ampliação da capacidade produtiva e reforço da infraestrutura logística. Veja a seguir mais detalhes na matéria especial do MT Econômico.
A nova linha PET aumenta em 70% a capacidade fabril da unidade e mais que dobra a produção de refrigerantes em embalagem plástica, atendendo diretamente cerca de 20 mil pontos de venda em todo o estado. A estrutura será sustentada por projetos complementares, como nova xaroparia com triplo da capacidade atual, ampliação da estação de tratamento de água – que passa a tratar até 300 mil litros por hora – sistemas de frio e compressores mais eficientes e um estoque expandido em mais de 4 mil posições-palete.
Para o CEO da Solar Coca-Cola, André Salles, Mato Grosso é hoje um dos motores de crescimento da companhia, que já figura entre os maiores fabricantes do sistema Coca-Cola no mundo. Ele destacou a expansão consistente da empresa, o aumento do faturamento e da geração de caixa, vinculando diretamente esse avanço ao dinamismo da economia local e ao ambiente favorável aos investimentos.
Segundo Salles, os aportes recentes incluem não só a nova linha PET em Várzea Grande, mas também a inauguração de centros de distribuição em municípios estratégicos como Lucas do Rio Verde e a ampliação da estrutura em Rondonópolis, reforçando a malha logística para cobrir praticamente todo o território mato-grossense. A operação local reúne cerca de 2,5 mil colaboradores diretos e indiretos, conectados a uma base de mais de 21 mil clientes no estado.
A dimensão do negócio se reflete ainda na atuação nacional: a Solar hoje está presente em 18 estados, cobrindo 70% do território brasileiro, com mais de 22 mil funcionários e atendimento a mais de 400 mil pontos de venda. Parte dessa trajetória nasceu em Mato Grosso, onde o então grupo Renosa iniciou sua expansão e, posteriormente, se integrou a outras fabricantes, dando origem à Solar Coca-Cola.
No evento, o presidente do Conselho de Administração, Ricardo Mello, sublinhou o caráter estratégico do investimento em um momento de incerteza tributária no país, mencionando que a empresa mantém um plano robusto de expansão mesmo diante da reforma em curso. Para ele, isso demonstra confiança no mercado brasileiro e, em especial, em Mato Grosso. Mello também lembrou o histórico de empreendedorismo que permitiu que o antigo negócio regional de refrigerantes se transformasse em um dos principais players da indústria de bebidas no país.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, enfatizou o impacto da nova linha PET na geração de emprego e renda para o município, não apenas dentro dos portões da fábrica, mas em toda a cadeia de fornecedores, serviços e comércio. Em tom emocionado, ela resgatou sua experiência ainda criança visitando a planta e destacou o orgulho de ver o nome da cidade estampado nos produtos que hoje alcançam diversos cantos do Brasil. Flávia reforçou que a prefeitura está “de braços abertos” para novas parcerias com a empresa, associando o investimento ao fortalecimento da arrecadação, à melhora dos serviços públicos e à consolidação de Várzea Grande como cidade industrial.
Representando o governo de Mato Grosso, Mauro Carvalho ressaltou que o Estado tem atuado de forma integrada – com a Secretaria de Fazenda, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Casa Civil – para dar segurança jurídica e previsibilidade a investimentos de longo prazo. Ele lembrou o trabalho técnico realizado para adequar questões tributárias e regulatórias, e apontou a Solar como exemplo de empresa que “não para de investir”, ajudando a diversificar a base produtiva de um estado tradicionalmente associado ao agronegócio. Carvalho também conectou o projeto à estratégia do governo de agregar valor à produção local, estimular a industrialização e ampliar a oferta de empregos qualificados.
O deputado estadual Carlos Avallone, que também é ligado ao setor empresarial, resgatou sua participação na história da fábrica, desde a implantação da unidade atual, ainda na década de 1990. Ele destacou a “vocação para crescer” tanto da Solar quanto de Mato Grosso, afirmando que o ambiente de negócios criado pelo diálogo entre iniciativa privada, governo e entidades de classe tem sido decisivo para atrair e reter investimentos. Avallone reforçou o compromisso da Assembleia Legislativa em apoiar projetos que ampliem a competitividade do estado e garantam segurança aos investidores.
O setor industrial também marcou presença por meio da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). O diretor da entidade, Ayres Santos, representando o presidente Silvio Rangel ressaltou que, quando o projeto de expansão da Solar ainda estava no papel, a empresa buscou orientação sobre tributação e incentivos, e encontrou no governo estadual e nas entidades empresariais um ambiente de cooperação. Para ele, o investimento reafirma o papel da indústria como geradora de emprego, renda e, sobretudo, de desenvolvimento social: “empreender é gerar saúde, educação e segurança”, defendeu, ao se referir aos efeitos indiretos da atividade produtiva sobre a qualidade de vida da população.
A sustentabilidade foi um eixo recorrente nos discursos. A Solar apresentou sua meta de, até o fim de 2026, alcançar neutralidade na cadeia de embalagens em Mato Grosso, recolhendo do meio ambiente o equivalente a tudo que é colocado no mercado. A empresa já opera com índices próximos de 100% de reciclagem em latas de alumínio em outras regiões e afirmou estar estruturando, no estado, uma cadeia de circularidade para o plástico, em parceria com cooperativas de reciclagem e catadores. A ideia é replicar em Mato Grosso a mesma neutralidade já atingida em cinco estados onde a companhia coleta mais embalagens do que utiliza em suas fábricas.

Nesse contexto, executivos do sistema Coca-Cola destacaram que o crescimento da capacidade produtiva vem acompanhado de forte compromisso socioambiental. A ampliação da estação de tratamento de água, os investimentos em eficiência energética, o uso de tecnologia de ponta e o apoio a cooperativas de reciclagem foram apontados como pilares para que o aumento da produção seja compatível com uma agenda de desenvolvimento sustentável.
O evento também foi marcado por uma homenagem ao fundador da operação em Mato Grosso, Luiz Carlos Lomba de Mello, empreendedor que há quase 50 anos apostou no potencial do estado e iniciou a trajetória que levaria ao atual parque industrial. Em reconhecimento ao legado, a unidade passa a se chamar Parque Fabril Luiz Carlos Lomba de Mello. Para a família, a homenagem simboliza não só a história de um negócio bem-sucedido, mas o vínculo profundo com Mato Grosso e com a cidade de Várzea Grande.
Com a nova linha PET em operação e um pipeline de investimentos que ultrapassa meio bilhão de reais, a Solar Coca-Cola reforça sua posição como ator estratégico na economia mato-grossense. A combinação de expansão industrial, geração de empregos, fortalecimento da cadeia de fornecedores e metas ambiciosas de sustentabilidade tende a redesenhar o mapa de desenvolvimento da região, consolidando Várzea Grande como um polo de referência na indústria de bebidas do país.
O evento também contou com a visita guiada ao parque fabril, com a presença de autoridades, empresários, jornalistas, representantes de entidades e executivos.
