Os candidatos ao Governo de Mato Grosso participam, nesta terça-feira (18), do primeiro debate das Eleições 2026, promovido pela Centro América FM e pelo Primeira Página. Participam do debate os três candidatos cujos partidos atendem ao critério de representação mínima no Congresso Nacional: Dra. Natasha (PSD), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL).
O primeiro debate foi marcado por um clima de forte tensão e confrontos diretos. Os candidatos Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD) utilizaram os blocos iniciais para polarizar o discurso, alternando entre a apresentação de propostas estruturais e pesadas trocas de acusações que envolveram desde investigações policiais de aliados até o custo de obras públicas no Estado.
A rede de proteção às mulheres e o combate ao feminicídio abriram as discussões e colocaram a atual gestão sob fogo cruzado. Natasha Slhessarenko classificou as ações do governo atual como insuficientes diante dos elevados índices de violência doméstica e estupros no Estado, propondo a criação de uma Secretaria da Mulher, a construção de casas de acolhimento e o remanejamento de 700 policiais de funções burocráticas para o patrulhamento ostensivo nas ruas. Na réplica, Wellington Fagundes defendeu a instalação de delegacias 24 horas, Salas Lilás nos 142 municípios e a criação de um auxílio financeiro emergencial para garantir autonomia econômica às vítimas e romper o ciclo de dependência.
O clima esquentou de vez quando o tema sorteado foi a exploração de garimpos e a sustentabilidade ambiental. Ao ser questionado por Pivetta sobre propostas para o setor mineral, Wellington Fagundes contra-atacou ao resgatar investigações da Polícia Federal envolvendo o núcleo político do governador e do ex-governador Mauro Mendes na Operação Heritage. Pivetta rebateu os ataques defendendo a atuação rigorosa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) na repressão a garimpos ilegais e destacou que sua gestão estruturou um Departamento de Mineração para realizar o mapeamento geológico das riquezas de Mato Grosso de forma legalizada.
A infraestrutura viária e as mudanças climáticas mantiveram o tom beligerante entre os concorrentes ao Palácio Paiaguás. Natasha confrontou o governador sobre o valor investido na malha asfáltica, questionando o que classificou como “o quilômetro de rodovia mais caro do Centro-Oeste”, além de criticar o baixo orçamento de 0,7% destinado à pasta ambiental em um período de queimadas severas no Pantanal. Em sua defesa, Pivetta assegurou a entrega de 7 mil quilômetros de novas estradas e justificou o empréstimo de R$ 5,5 bilhões para assumir a concessão da BR-163 como uma medida corajosa que encerrou um problema histórico de acidentes na “rodovia da morte”.
No último bloco, os candidatos debateram o atendimento a alunos com deficiência e neurodivergentes. Otaviano Pivetta trouxe o debate para uma esfera pessoal ao citar o próprio neto autista, defendendo o fortalecimento das Apaes e a inclusão pedagógica nas escolas estaduais. Wellington aproveitou o gancho para criticar o suposto desmonte do sistema assistencial e de saúde mental na capital, citando o Hospital Adauto Botelho, e propôs uma reformulação no atendimento psicossocial. Por sua vez, Natasha encerrou cobrando responsabilidade fiscal e prometeu que, se eleita, fará a gestão que mais ampliará o número de vagas em creches no interior e na Baixada Cuiabana.
DINÂMICA – O debate foi dividido em três blocos, com perguntas feitas de candidato para candidato. Haverá rodadas com temas determinados e de tema livre, além das considerações finais.
Cada confronto teve cinco minutos. O candidato que faz a pergunta terá dois minutos e 30 segundos para administrar entre pergunta e réplica, enquanto o adversário terá o mesmo tempo para resposta e tréplica.
Os temas e a ordem de participação foram definidos por sorteio. No último bloco, cada candidato teve dois minutos e 30 segundos para as considerações finais.
Além do debate ao governo de Mato Grosso, a programação contará com entrevistas e outros encontros ao longo da campanha. O debate entre os candidatos ao Senado está marcado para 10 de setembro, às 7h30.



