O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) garantiu que o primeiro trecho do Bus Rapid Transit (BRT) começará a operar até dezembro deste ano, conectando o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, ao Comando-Geral da PM, na Avenida do CPA, em Cuiabá. Ele explicou que os recursos para o modal — estimados em R$ 925 milhões — são oriundos da venda dos antigos vagões do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). No entanto, o cronograma original sofreu ajustes, e o segundo trecho da obra, que ligará o Morro da Luz à região do Coxipó pela Avenida Fernando Corrêa da Costa, ficou oficialmente adiado para o ano de 2027.
O chefe do Executivo estadual atribuiu o atraso no andamento dos trabalhos à necessidade de rescindir o contrato com o consórcio anterior, o que gerou uma perda de quase um ano devido a entraves burocráticos. Pivetta destacou que a atual orientação para a empresa responsável é concluir integralmente a primeira etapa antes de abrir novas frentes de trabalho em Cuiabá.
A estratégia visa mitigar o impacto na mobilidade urbana e evitar novos transtornos no trânsito saturado da Baixada Cuiabana, uma vez que a substituição do fracassado projeto do VLT (iniciado para a Copa de 2014) se arrasta desde a decisão tomada em 2020.
ACUSAÇÃO DA OPOSIÇÃO – Paralelamente ao anúncio do cronograma, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) emitiu uma nota oficial para rebater duramente as acusações de irregularidades financeiras feitas pelo senador Jayme Campos (União Brasil).
O parlamentar havia denunciado publicamente um suposto adiantamento ilegal de R$ 120 milhões para a Lotufo Engenharia e Construções, empreiteira que assumiu o projeto do BRT no início deste ano. A pasta negou categoricamente a prática de pagamentos indevidos e assegurou que todos os repasses financeiros realizados até o momento seguem estritamente o fluxo de medição dos serviços executados em campo.
Na manifestação técnica, a Sinfra esclareceu que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) chegou a emitir uma autorização excepcional em dezembro de 2025 para permitir a antecipação de repasses voltados à aquisição de equipamentos pesados por parte da construtora. Apesar do aval do órgão de controle, a secretaria governamental fez questão de enfatizar que nenhum pagamento antecipado foi efetivamente realizado. A nota conclui reforçando que os procedimentos administrativos do Estado cumprem as exigências legais e estão totalmente abertos à auditoria pública nos sistemas informatizados de finanças.
COMBUSTÍVEL PARA O RACHA INTERNO – O acirramento do debate técnico sobre o BRT reflete a recente reconfiguração política nas eleições de 2026, com o senador Jayme Campos assumindo o papel de opositor ao palanque de Otaviano Pivetta. O ataque de Jayme ocorreu durante o ato de lançamento do empresário Reinaldo Morais como vice na chapa de Wellington Fagundes (PL), evento que marcou a adesão formal do cacique à oposição. O distanciamento de Jayme do núcleo governista consolidou-se após ele ser derrotado na convenção interna do União Brasil, inviabilizando seus planos de disputar o Palácio Paiaguás e dividindo o partido no Estado.
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