Apesar do cenário a longo prazo apontar para a crescente demanda por proteína bovina, os próximos meses pedem cautela por parte do pecuarista. Alcides Torres e Pedro Gonçalves, especialistas da Scot Consultoria, mostraram, que a tendência é de uma pequena retração no consumo de carne tanto no mercado interno brasileiro quanto em importantes países importadores do produto, como a China.
Durante a palestra realizada na tarde desta quinta no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, a dupla de analistas atualizou a leitura do cenário doméstico e internacional para uma plateia de aproximadamente mil pecuaristas. A previsão é de redução de 2% na produção pecuária brasileira e de 2,4% nas exportações de carne bovina em 2026. Embora as vendas para a China sejam um ponto positivo para o Brasil e para Mato Grosso, o país asiático impôs taxas internas que elevaram o preço da carne brasileira no mercado interno, além de ter intensificado a produção própria de carne suína como medida de segurança alimentar. Sinal de que é preciso diversificar mais os mercados consumidores do produto mato-grossense e brasileiro.
Outro aspecto destacado pelos especialistas da Scot foi a redução na intensidade de consumo do brasileiro, causada pelo grande endividamento da população (80% acima da massa salarial). O crescente hábito de apostas em jogos eletrônicos também tem influenciado indiretamente no mercado da carne, porque reduz ainda mais o potencial de compra do alimento. Paralelamente, tem aumentado proporcionalmente o consumo de outras proteínas, como frangos e suínos, devido à redução dos preços.
Em momentos desafiadores como esse, usar a tecnologia pode ser uma importante estratégia para manter a rentabilidade da propriedade. Foi a dica de Camilo Carromeu, analista de Tecnologia da Informação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em sua palestra no evento, Camilo mostrou que soluções digitais já estão disponíveis no mercado para auxiliar o pecuarista em diferentes atividades.
“Estamos vivendo a quarta revolução tecnológica no agro. Para aumentarmos a produtividade, investimos em bionanotecnologia, genética e, mais recentemente, em transformação digital. Hoje o pecuarista usa a Inteligência Artificial (IA) generativa para conversar diretamente com a plataforma preferida e obter respostas rápidas e em linguagem natural”, citou Carromeu.
Mas as novidades não se limitam à IA. A tecnologia de blockchain, que rastreia produtos desde sua origem até a chegada ao consumidor, firmou sua base na pecuária com o Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB). “Até 2032, o Brasil terá todos seus animais identificados individualmente. Isso é tecnologia aplicada”, compartilhou o analista da Embrapa.
Outro aspecto em intensa evolução é a conectividade no campo. Satélites como os da empresa Starlink começam a ser produzidos por outros fabricantes, ampliando o acesso e contribuindo para reduzir as “sombras” que o pecuarista encontra em campo. “O próximo passo é a tecnologia ‘direct-to-cell’, em que o celular se conecta diretamente com o satélite via 4G, eliminando os pontos cegos. Isso vai garantir a total conectividade na fazenda”, antecipou.
As palestras integraram o Acricorte 2026, evento anual da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), realizado no final da semana passada, em Cuiabá.
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